Não é incomum que mães no período pós-parto tenham pensamentos intrusivos e indesejados de que podem machucar seus bebês. Isso já aconteceu com você?


Essa é uma pergunta que, infelizmente, não é feita com frequência às mulheres no pós-parto. São tantas outras preocupações, que essa pergunta pode acabar passando batida. Mas esse é um fenômeno frequente e mencioná-lo às mulheres nessa fase pode abrir uma porta para que relatem esses pensamentos angustiantes e suas preocupações. Também para que possam ser avaliadas e, principalmente, esclarecidas sobre o assunto. 


Pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos, incômodos e indesejados podem surgir na mente de mães (e até de pais) no período pós-parto.

Esses pensamentos podem ser de que algo ruim pode acontecer a seu bebê (por exemplo, que ele possa cair, sufocar, adoecer, ser raptado) ou que a própria mãe poderia fazer algum mal a seu filho acidentalmente (deixá-lo cair de seus braços, esquecê-lo no carro) ou intencionalmente (gritar com ele, afogá-lo, machucá-lo). Em alguns estudos, até 100% das mães relatam ter algum desses pensamentos no pós-parto. Importante ressaltar que estamos falando de pensamentos intrusivos e indesejados: essas ideias não exprimem um desejo, pelo contrário, são incompatíveis com a vontade da pessoa, geram angústia, culpa e vergonha. São, portanto, diferentes das ideias de fazer mal ao bebê que podem acompanhar um quadro de Psicose Puerperal.


 Para a maioria das mães, apesar de angustiantes, esses pensamentos não trarão muito comprometimento desse período e da relação mãe-bebê. Mesmo nesses casos, é frequente também que se desenvolvam alguns comportamentos como resposta a esses pensamentos: checar se o bebê está bem, distrair-se, rezar. 


Porém, algumas mães podem apresentar um quadro mais intenso, compatível com Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Nesses casos, os pensamentos são mais recorrentes, trazem mais angústia e por vezes até pavor e medo. Têm impacto e comprometimento maior no dia a dia do que no caso anterior.


Com medo de atuarem os seus pensamentos, essas mães podem desenvolver comportamentos para evitar essas situações. Por exemplo, não ficam sozinhas com seu bebê ou não dão banho em seus filhos. Isso pode acabar por prejudicar a relação e o estabelecimento do vínculo entre a mãe e o bebê. Essas mulheres dificilmente falam com alguém sobre isso. Têm medo de serem mal interpretados por seu cônjuge ou seus familiares e temem também que seus filhos lhe sejam tirados.


Se isso está acontecendo com você, busque ajuda!